NOTURNO CADEIRANTES DE VOLTA AOS PALCOS

O musical Noturno já existe há 17 anos, ele não foi escrito para os cadeirantes fazerem, mas em 2003 Deto Montenegro, diretor da Oficina dos Menestréis, com a ajuda da Carol e da Tabata organizaram um elenco de 20 pessoas cadeirantes e assim surgiu o projeto Noturno Cadeirantes, a peça com seus textos e músicas serviram como uma luva pra esse elenco, foi um sucesso, a peça ficou em cartaz durante o ano de 2004 inteiro, entre apresentações no teatro Dias Gomes, e também com edições especiais como a do Tom Brasil e a do teatro Gazeta produzido pela Dizáine Comunicações e com o apoio de grandes empresas. Também foi apresentado em Indaiatuba, São Carlos, Bauru, etc.
Depois esse projeto virou Cia. Mix Menestréis e contou com a presença de atores cegos, de muletas e também atores e músicos sem deficiência onde montaram outros musicais como o Good Morning São Paulo, Vale Encantado e Banquete da Vida.
Mas o original só tinha cadeirantes no palco, e é esse que vocês vão poder assistir nos póximos finais de semana.
Depois de quatro anos o musical volta com a presença de alguns menetréis do elenco original e também com novos integrantes!
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Em cartaz o musical “NOTURNO projeto CADEIRANTES“, de Oswaldo Montenegro, com direção de Deto Montenegro em curtíssima temporada.
Nos dias 19, 20, 26 e 27 de Julho e 02 e 03 de Agosto, sábados 21h e domingos 20h
Teatro Dias Gomes, rua Domingos de Moraes, nº 348, Vila Mariana (próximo a estação Ana Rosa do metrô).
Ingressos antecipados com o elenco é 15 conto!
Na hora(bilheteria), R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).
Informações (11) 5575-7472
http://www.oficinadosmenestreis.com.br
http://www.menestreis.campogeral.com.br
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As empresas que se interessarem e quiserem podem entrar com uma cota de apoio cultural!
Aguardamos o contato de vocês!
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Te vejo lá!
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3 comentários »Perfil - Marilyn Hamilton

Marilyn Hamilton, americana paraplégica, que transformou-se em uma das mais importantes empreendedoras dos EUA
Esta americana paraplégica, que transformou-se em uma das mais importantes empreendedoras dos EUA, revolucionando o mundo das cadeiras de rodas de alta tecnologia e performance, esteve presente na REATECH 2008 trazendo seus conhecimentos a nós brasileiros e também para divulgar sua parceria com um importante fabricante de cadeiras de rodas nacional…
http://www.amputadosvencedores.com.br/UserFiles/Image/entrevista1.jpg
Quem esteve na Reatech 2008 e viu a qualidade e a sofisticação das cadeiras de rodas expostas na feira, tanto importadas quanto de produção nacional, mal podia imaginar que uma das pessoas responsáveis por iniciar o processo de modernização desta indústria em todo o planeta estava presente no evento, como expositora e palestrante. Trata-se de Marilyn Hamilton, uma norte americana de 58 anos, que conseguiu transformar o trauma da paraplegia numa idéia que a transformou em uma das mais importantes empreendedoras dos Estados Unidos em sua especialidade, a de fabricar cadeiras de rodas.
Marilyn foi a responsável por revolucionar a vida das pessoas com deficiência através da empresa Quickie, a primeira fábrica do mundo a produzir cadeiras de rodas de alta tecnologia e performance em larga escala. E fez muito mais pela inclusão das pessoas com deficiência e a toda sociedade, através da fundação de entidades como a WOW - Winner on Wheels (vencedores em cadeiras de rodas), dedicada a realizar ações afirmativas para crianças e adolescentes com deficiência física.
Em sua saga de superação de desafios e de luta pela melhoria contínua em sua vida pessoal, profissional e coletiva, Marilyn saiu de uma vida comum como professora secundarista no interior dos EUA para a posição de para-atleta premiada (foi campeã de Tênis em Cadeira de Rodas e medalha de prata nas paraolimpíadas de inverno na Áustria em 1984 em Sky sentado, e vice-campeã mundial na modalidade em 1982). Além disso, tornou-se uma das maiores executivas do segmento em que, com certeza, ela pode ser considerada um marco divisor, uma referência de “antes” e “depois”.
Presente no Brasil durante a Reatech 2008 para apresentar a palestra: “Desafie seus limites”, e mostrar seu empreendimento de consultora de negócios e conferencista motivacional, Marilyn concedeu uma entrevista exclusiva à Revista Nacional de Reabilitação (Reação), na qual falou muito sobre sua via, seus desafios e sua concepções de vida. Acompanhem:
REVISTA REAÇÃO - Conte-nos um pouco de sua vida antes de do acidente que a deixou paraplégica.
Marilyn Hamilton – Nasci em 1949 numa pequena cidade da Califórnia, chamada Reedley, e fui criada em Dinuba, onde conclui meus estudos básicos. Era uma garota típica do interior, cheia de sonhos e de expectativas sobre a vida. Fiz minha graduação universitária em economia doméstica, juntamente com o meu primeiro marido, Rick Hamilton, na Cal Poly (California Polytechnic State University), na cidade de San Luis Obispo. Após a formatura, passamos um período de nossas vidas lecionando em escolas de ensino médio (High School) na Austrália, a convite do governo australiano, e aprendi muito. Mais do que trabalhar em outro país, a minha experiência foi de assumir riscos, enfrentar e não fugir dos desafios. Eu não era uma pessoa que se interessasse em seguir o padrão e fazer tudo igual aos outros. Eram tempos duros, mas foram de grande proveito. Após este período na Austrália, voltamos para os EUA e fomos morar perto de Fresno, também na Califórnia, onde meu marido foi administrar uma fazenda da família que produzia frutas, que exportávamos para o mundo inteiro. Foi nesta época que sofri o acidente.
RR - Fale sobre seu acidente e o processo de reabilitação.
MH – Eu adorava esportes, tinha uma vida muito ativa, e na década de 70, nos Estados Unidos, eu era uma das únicas mulheres do país a voar de Asa Delta, e achava o vôo uma coisa fantástica. Voei por 5 anos, era uma piloto experiente e adorava subir nas montanhas e saltar. Mas, num dia desses, antes de saltar, não conectei a trava de segurança que me segurava na asa, e estando em frente do abismo, na rampa de lançamento, corri, saltei, mas escorreguei e a asa virou. Como era previsível, não consegui estabilizar a asa ou acionar meu pára-quedas, não pude evitar a montanha, caí de uma altura de 18 metros e quebrei a coluna. A partir daí minhas esperanças foram embora, meus sonhos encobertos e reconheci que a vida não ia ser o que eu imaginava. Então comecei minha reabilitação e fiquei no hospital apenas três semanas. Eu era muito impaciente, queria seguir adiante com minha vida e o fato dos médicos dizerem que eu teria que ficar internada por 6 meses era inaceitável para mim. Eu precisava seguir adiante e disse a eles: “me ensinem o que eu tenho que fazer que faço em casa” (risos). Coloquei alguns equipamentos de fisioterapia na sala da minha casa e comecei a reconfigurar minha vida. Comecei a andar em pequenos trechos e realmente acreditei que iria voltar a fazê-lo. Lia artigos sobre o tema e passei 5 anos tentando muito duramente voltar a andar, porque da minha maneira, não estava aceitando minha deficiência… eu gerenciava minha deficiência e gerenciava o que queria que acontecesse.
RR - Houve alguma pessoa que lhe apoiou ou serviu de inspiração na época?
MH – Minha inspiração nesta época foi o Tio Bill (tetraplégico, tio do primeiro marido de Marilyn). Ele trabalhava com o cultivo de uvas da família e era um grande negociante de frutas. Como meu marido cuidava da fazenda, decidi trabalhar com o Tio Bill enquanto fazia a reabilitação, e nessa época não queria mais atuar com educação. Tio Bill me ajudou muito. Ele me fez entender que a gente pode sonhar com qualquer coisa e que nós podemos fazer as coisas acontecerem. “Levante para os seus sonhos, pois você pode fazer o que quiser”, dizia ele para mim. Tio Bill ficou tetraplégico cedo e não desistiu de sua vida, foi para Loyola Law School e para a UCLA - University of California, Los Angeles, e se tornou advogado. Ele foi minha grande inspiração e tive sorte de tê-lo ao meu lado nesta época.
RR - Como foi que se envolveu na produção de cadeiras de rodas?
MH – Então, como eu ia dizendo, estava trabalhando como comerciantes de frutas com Tio Bill e fazendo as minhas coisas, e ele sempre me dizendo: “vá atrás dos seus sonhos seja ativa de novo!”. Foi então que resolvi retomar minhas atividades ao ar livre e em Fresno/CA, perto da cidade onde eu trabalhava, comecei a jogar tênis em cadeiras de rodas. Me realizei como pessoa, mas vi que o “dinossauro”, a cadeira de rodas de quase 30 Kg que eu usava, não iria funcionar. Cheguei a usar 3 cadeiras de rodas no primeiro ano e paguei caro por elas. As cadeiras que eu usava não eram exatamente a minha idéia de uma cadeiras de rodas. E foi aí que pensei: minha asa delta era como um brinquedo! Ela tinha cores e dispositivos de retirada rápida, você tirava as amarras e as asas de forma rápida, e elas tinham mais tecnologia que aquilo que eles me davam como sendo as minhas pernas. Eu não compreendia aquilo! E o que ocorreu foi que, fiz a seguinte pergunta: porque não transferir as tecnologias usadas na fabricação de asas deltas para as cadeiras de rodas? Então falei sobre essa idéia ao meu marido e ele achou que eu estava brincando, pois seriam necessários muitos recursos para concretizar esta idéia. Daí surgiu a idéia que gerou a Motion Designs, menos de um ano depois do meu acidente, em 1979. Foi esta pequena empresa que projetou e manufaturou as hoje famosas no mundo todo, cadeiras Quickie.
RR - Como esta pequena empresa começou a produzir?
MH – Eu pensava, desejava, sonhava com uma cadeira de rodas melhor e isto me motivou muito, pois estava reconfigurando minha vida em cima de novos objetivos. Eu chamei dois amigos, Jim e Don, e os convidei para trabalhar comigo neste projeto, e eles se tornaram meus parceiros. Na época, estavam fabricando asa deltas e o que nós fizemos foi adicionar às cadeiras de rodas uma tecnologia que envolvesse: peso leve, alta performance e ajustabilidade total, ao contrário dos “dinossauros” que já vinham há anos sendo feitos de uma forma padronizada (e sem graça). Nós fizemos um produto ajustado às necessidades e desejos dos consumidores, falamos com os médicos e com os negociantes para ver o que eles queriam e alinhamos as necessidades deles com os desejos do mercado. Mas nós fomos mais longe, e colocamos cores alegres, pois naquela época quase que só havia um horroroso aço inox, e programamos nossa produção para o uso de equipamentos CNC - Computer Numeric Control, no qual cada cadeira e peça, seja ela qual for, seria intercambiável com qualquer outra do mesmo modelo. Isso nos ajudou muito na época, pois os concorrentes faziam as cadeiras com processos industriais que não garantiam a mesma qualidade. Tivemos que fazer tudo diferente. Um novo modelo de cadeira, um novo modelo de fabricação e também um novo modelo de negócios, pois o mercado não estava preparado para a mudança. E conseguimos. O nome da marca veio de um amigo meu, que fabricava aviões de brinquedo, que ele chamava de Quickie (que traduzindo é rápidinho, ligeirinho), e eu gostei muito do nome, pois representava o que eu gostaria que a cadeira fosse: um produto alegre e divertido.
RR - Como a pequena Quickie se tornou um gigante na produção de cadeiras de rodas?
MH – A partir do trabalho inicial, houve um processo de crescimento estratégico, no qual tínhamos que ter cuidado com as vendas. Como todos estavam acostumados a outro tipo de produto, os vendedores tiveram que aprender a medir de forma diferente e atender de forma também diferente, e isso nos deu a responsabilidade de promovermos um crescimento controlado, pois não teríamos condições de atender muitos pedidos. Meu segundo marido, Robert Hamilton, que comercializa produtos na área, lembra que, na época, uma cadeira Quickie não parecia uma cadeira de rodas. Era uma coisa fora do normal, com suas cores, seu design, seus dispositivos. Nós pensamos nisso e como sabíamos que não conseguiríamos atender a todos se houvesse um grande volume de pedidos, planejamos nosso trabalho para vender a quem realmente entendesse os diferenciais do que estava comprando. No início foi duro, nós passamos por muitas dificuldades, e os sócios da empresa ficaram três anos trabalhando em outros empregos até poderem se dedicar integralmente à Quickie. O grande salto ocorreu quando lançamos nosso primeiro modelo dobrável, que ficou em segredo por muito tempo. Tínhamos U$ 500 mil de caixa, 300 cadeiras fabricadas e prontas para remessa, e participamos de dois diferentes eventos com médicos (Kansas City) e atletas (Hawaii). Logo que as lançamos, todos os engenheiros das fábricas concorrentes se focaram em copiar a cadeira, mas nós tínhamos um diferencial que eles levaram 6 meses para nos superar e foi aí que começamos a crescer de verdade. Em 1986 nossa empresa foi vendida a Sunrise Medicals e eu ocupei por 21 anos o cargo de vice-presidente de planejamento estratégico Global, época na qual a marca Quickie se consolidou no mercado de alta performance e qualidade superior.
*Marilyn hoje não atua mais como executiva da Sunrise e se dedica à sua empresa de consultoria em negócios.
RR - Além da questão profissional, como você encara os desafios da vida e como aplicou sua experiência pessoal na busca por metas profissionais?
MH – Eu acredito que o maior recurso, o alicerce de tudo, são os nossos valores, atitudes e como nós vemos e encaramos nossas vidas (principalmente quando diante das dificuldades). É muito importante, por isso, iniciar com o que eu considero o nosso maior alicerce: como encaramos a nós mesmos. Se quando eu sofri o acidente, acreditasse que eu era uma pobre garota que não poderia fazer nada, então teria sido uma pobre garota que não poderia mais fazer nada… Todos nós podemos realizar coisas maravilhosas. O tio Bill me ensinou isso, minha mãe e meu pai me ensinaram isso, meu marido hoje me diz isso… mas somos nós que temos que acreditar que somos capazes. E isso não acontece da noite para o dia, é um sistema de crenças. Em toda a minha vida busquei as coisas muito ativamente e sempre digo que, nós não podemos controlar nossas vidas, mas controlar nossas respostas a ela, e o mais importante é como fazemos isso. Se nós fazemos isso corretamente, se começamos a desejar o sucesso, construindo-o a cada dia, ficamos mais confiantes e desejamos fazer cada vez mais coisas, e isso é crítico, é um (grande) ponto de partida. Eu avalio a minha vida como uma tentativa de inspirar as pessoas, pois se não posso motivar você, pelo menos inspirar eu posso. Se ajudar você a se conhecer melhor e se, a partir daí você tiver um “click” (um despertar), você alcança a motivação pessoal para conquistar suas metas, seus sonhos e, com isso, vem toda uma corrente de relacionamentos que começam na família e passam por todas as pessoas pelo seu caminho. Ninguém, basicamente, pode fazer nada por você. Tudo depende de você mesmo. Na minha vida eu fui muito afortunada, tive um monte de oportunidades maravilhosas, mas antes eu era a mesma pessoa que sou hoje, estou apenas fazendo as coisas de forma diferente.
RR - Deixe uma mensagem para os leitores brasileiros?
MH – Foi estimulante ver muitas pessoas com diversos tipos de deficiência aqui na Reatech, correndo atrás de seus objetivos… eu amei a quantidade e qualidade de produtos e as cores, a alegria, e a tecnologia apresentadas. Gostaria de agradecer ao Paulo Fernandes, da Tok Leve, pela parceria que me deu a oportunidade de estar aqui no Brasil, e aos brasileiros pela boa acolhida. Penso que nós todos (PPDs), temos muitas histórias paralelas, um pouco diferentes nos detalhes, mas muito parecidas, quase as mesmas no sentido de lutarmos para superar nossos desafios. Termino esta entrevista com uma frase que é um dos meus lemas: “desafie seus limites. Se você não pode levantar da cadeira de rodas, levante para a vida !!!”
OLHO:
“Não limite seus desafios, desafie seus limites”
Marilyn Hamilton
Fonte: http://www.revistareacao.com/entrevista.php
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Sem comentários »Deficientes ainda têm dificuldade para se locomover no Brasil
O Brasil aderiu à Convenção da ONU, onde se compromete a dar trabalho e oportunidade aos portadores de deficiência. Mas, na prática, os deficientes sofrem bastante por não ter condições de acesso.
Fonte: Globo Vídeo
Link da reportagem: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM853098-7823-DEFICIENTES+AINDA+TEM+DIFICULDADE+PARA+SE+LOCOMOVER+NO+BRASIL,00.html
Os bares e a Acessibilidade
Sexta-feira é dia de happy hour e, depois do trabalho, muita gente vai tomar um chope com os amigos. Para alguns, no entanto, o programa pode ser um transtorno. É que os bares da cidade praticamente ignoram um público muito especial. Segundo dados do IBGE, há em São Paulo cerca de 1,5 milhão de pessoas com algum tipo de deficiência física. É gente que usa cadeiras de rodas ou tem algum outro tipo de dificuldade de locomoção, não enxerga ou não ouve. Muitas trabalham e vivem com independência e autonomia, mas, na hora de se divertir, esbarram em lugares e pessoas despreparadas para recebê-las. Os bares da cidade praticamente ignoram esse público.
Dos mais de 250 endereços que fazem parte do banco de dados do Portal Veja São Paulo, apenas 39% tem condições mínimas para receber portadores de deficiência física: rampa e banheiro adaptado. O escritor Marcelo Rubens Paiva, tetraplégico desde que sofreu um acidente no fim dos anos 70, diz que já perdeu a conta das situações constrangedoras pelas quais passou. “Eles [os bares] falam que têm acesso, mas quando chego lá tem um ou dois degraus. Isso não é acesso, porque para entrar você precisa ser carregado. E, às vezes, é chato ser carregado.”

A noite também é deles: Marcelo Rubens Paiva na noite de estréia de
um espetáculo na cidade Foto: Daniela Toviansky
Deficientes visuais e auditivos também precisam de condições especiais para serem integrados ao ambiente de um jeito confortável. Isso inclui oferecer cardápio em braile e funcionários capazes de atender sem constranger e também de minimizar possíveis limitações do ambiente. Markiano Charan Filho, presidente da Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), é cego. “É fundamental que os funcionários sejam treinados para receber as pessoas”, diz. “Uma vez, entrei em um bar para perguntar se eles tinham cardápio em braile e o garçom achou que eu estava pedindo esmola.”
Ser acessível é um dever
A legislação federal prevê que todo edifício aberto ao público seja acessível. Esse conceito amplo não diz respeito só à entrada e à saída em um prédio. É preciso oferecer condições para que todos transitem pelo local e comuniquem-se com autonomia. Quem deve cobrar as condições adequadas dos estabelecimentos é a subprefeitura do bairro, que emite o alvará de funcionamento. “Existe uma lei municipal que diz que locais de reunião com mais de 100 pessoas são obrigados a ter acesso para deficientes. Com base nisso, alguns lugares alegam ter circulação inferior a esse número. Mas a legislação federal afirma que qualquer edifício público ou privado deve ser acessível”, diz a vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que é tetraplégica e luta por melhores condições de vida para os deficientes.
Na tentativa de melhorar essa situação, uma saída pode ser estimular comportamentos adequados com reconhecimento. Essa é a opinião de Renato Baena, atual secretário municipal da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida. Baena explica que a prefeitura vem desenvolvendo desde 2005 um programa que confere estrelas para estabelecimentos comerciais com bom nível de acesso. Funcionará assim: os donos dos lugares contratarão arquitetos treinados pela secretaria para fazer uma vistoria, uma avaliação do lugar, e conferir uma espécie de relatório de acessibilidade. Os dados serão auditados pela prefeitura. Quanto melhor a acessibilidade, mais estrelas a casa terá em sua placa (ou selo), exibida para os clientes. “A conquista é gradativa. É necessário criar costumes antes de leis. Nós importamos um conceito, mas os hábitos não foram assimilados pela sociedade”, diz Baena. Essa sinalização estará na porta de 1500 lugares já inscritos no programa, que será lançado oficialmente em agosto deste ano. Infelizmente os bares ainda não sentiram-se estimulados a aderir ao projeto, já que nenhum se candidatou à plaquinha estrelada.
Fonte: Portal Veja São Paulo
Link da reportagem: http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/servico-deficiente/
Senado ratifica convenção da ONU sobre direitos das pessoas com deficiência
Convenção foi aprovada pela ONU em dezembro de 2006.
Foco é o combate à discriminação e a garantia à acessibilidade.
O Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a ratificação da convenção das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência. A convenção já foi aprovada pela Câmara. A proposta aprovada pelo Brasil tem força de emenda à Constituição.
A convenção foi aprovada pela ONU em dezembro de 2006 e já foi ratificada por 28 países. O objetivo é mudar a forma de tratamento das pessoas com deficiências em todo o mundo. O foco é o combate à discriminação e a garantia à acessibilidade.
Pela convenção, a falta de condições de acessibilidade pode ser entendida como uma forma de discriminação. Uma pessoa com deficiência pode, por exemplo, reclamar descriminação quando não consegue emprego porque determinados prédios ou meios de transporte não oferecem condições de acesso.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL633988-5601,00.html
Surf e Vida
Jornal A Tribuna
Vitória -ES

Por Mariana Melo
Depois de sofrer um grave acidente de carro em junho de 2003, que o deixou paraplégico, o surfista Carlos Kill, que na época tinha 23 anos, viu sua vida mudar da noite para o dia. Ele passou por várias cirurgias até que, em dezembro do ano passado, realizou a última que lhe proporcionou a voltar a praticar esportes, desde o mês passado.
Quando sofreu o acidente, Carlos, que mora em Cariacica-Sede e costumava surfar todos os finais de semana com os amigos em Jacaraípe, na Serra, estava indo para a praia quando seu amigo Rayne, que dirigia um Fiat 147, de carroceria, perdeu o controle do carro e capotou.
Rayne morreu na hora e Carlos, que estava na carroceria do carro, foi levado para o hospital. Ele ficou internado durante três meses, quando recebeu alta e a notícia de que estava paraplégico.
“Foi o pior dia da minha vida. Naquele momento queria sumir. Entrei em depressão. Durante esses anos que se passaram, eu até tentei me matar por duas vezes. Mas, hoje, depois da última cirurgia que realizei, voltei a sentir prazer pela vida e a praticar esportes. Superei o acidente”, Afirmou
O surfista disse que depois do acidente voltou a entrar na água para surfar no dia do seu aniversário deste ano (11 de abril). Segundo ele, isso foi possível porque fez uma cirurgia plástica para fechar os machucados.
“Foi uma sensação maravilhosa, a melhor do mundo. Me emocionei muito. Antes do acidente, eu surfava para relaxar e, agora, posso fazer tudo novamente”, explicou Carlos.
Além de voltar a surfar, ele também pratica natação três vezes por semana. “Adoro a natação e todos os finais de semana eu vou para Jacaraípe surfar. Hoje me sinto feliz novamente”, diz.
Governo suspende narração para cego na TV
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, suspendeu ontem dispositivo legal que obrigava as emissoras de TV, desde a última sexta-feira, a irradiarem pelo menos duas horas diárias de programação com narração para cegos.
Costa atendeu a pedido das redes, que alegaram dificuldade técnica e alto custo para implantar o recurso, uma tecla SAP para deficientes visuais.
Chamado de audiodescrição, o recurso está previsto em portaria assinada por Hélio Costa em 27 de junho de 2006. A portaria dava dois anos para as TVs começarem a irradiar pelo menos uma hora das 8h às 14h e uma hora das 20h às 2h de programação com recursos de acessibilidade. Os recursos deverão ser ampliados ano a ano até atingir a totalidade da programação das TVs em 2017.
De acordo com a portaria, são recursos de acessibilidade, além da audiodescrição, a legenda oculta (closed caption) e a dublagem em português, já oferecidas pelas redes. A portaria publicada ontem no “Diário Oficial” suspendeu apenas a implantação da audiodescrição. Ou seja, as TVs estão obrigadas a veicular pelo menos duas horas de closed caption.
A legislação define a audiodescrição como “locução sobreposta ao som original do programa, destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos por pessoas com deficiência visual”.
Fonte: Folha de São Paulo
Sem comentários »Deficiente auditiva terá intérprete na sala de aula
Ação foi impetrada em 2006 pela mãe da garota; um processo posterior, julgado antes, conseguiu 4 salas com intérprete na cidade
Juíza de Marília determina que escola estadual tenha tradutor para Juliana, 13
PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL
A comerciante Paula Cristina Martelato, 40, mãe da deficiente auditiva Juliana, 13, conseguiu na Justiça de Marília (435 km de SP) o direito de ter um intérprete em Libras (língua brasileira de sinais) na sala de aula da menina. O intérprete vai traduzir o que a professora diz para os outros alunos.
Paula ajuizou a ação em setembro de 2006. Logo depois a promotoria da comarca reivindicou o mesmo para um outro grupo de alunos. A ação conjunta foi julgada (favorável) antes. Hoje já há duas escolas e quatro salas com intérprete para surdos em Marília. Juliana estuda em uma terceira.
A sentença foi dada pela juíza da 1ª Vara Cível de Marília, Paula Jacqueline Bredariol de Oliveira, e publicada dia 29. A mãe de Juliana foi a primeira a ajuizar ação do tipo no Estado, segundo a Secretaria da Educação. A menina ainda aguarda pelo intérprete. Caso não cumpra a determinação em um mês, o Estado sofre multa de R$ 450 por dia. Cabe recurso.
O advogado da menina, Rabih Sami Nemer, diz que entrou com um pedido de “antecipação de tutela” para que Juliana tenha o seu direito garantido, mesmo que o Estado recorra. “Ela está na sétima série. Se esperar pela tramitação e julgamento do recurso, pode estar formada”, diz.
Nemer parte agora para outro impasse. “O exame de proficiência em Libras é concedido pelo MEC. Só que o Estado não regulamenta a contratação deste professor. Então, como vão contratar um profissional para um cargo que não existe?”
A Secretaria Estadual da Educação afirma, por meio de sua assessoria, que vai cumprir a determinação da Justiça de Marília. Mas afirma que o cargo de intérprete de Libras não foi criado ainda porque o decreto 5.626 de 2005 estipula um prazo de dez anos para que o Estado atenda à legislação. Diz ainda que a “criação de cargos é atribuição da Assembléia Legislativa”. Já a Assembléia diz que o Legislativo não pode impor despesas ao Executivo.
As intérpretes que já atuam em Marília -nas escolas das crianças que ganharam a causa conjunta- são oriundas do Cape (Centro de Apoio Pedagógico Especializado), criado para atender alunos especiais da rede estadual. Essas intérpretes não têm, necessariamente, o diploma de proficiência.
No Brasil, a Universidade Federal de Santa Catarina é pioneira no ensino do curso superior de Libras. A universidade também aplica o exame de proficiência. Em São Paulo, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos oferece curso de 120 horas (R$ 115), com material desenvolvido em conjunto com supervisores do MEC. A Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, o Derdic, da PUC, é outra referência.
Solução
Uma solução para atender a Juliana rapidamente seria transferi-la para uma das duas escolas de Marília em que já há intérpretes, mas a mãe dela não pretende fazê-lo: “Minha filha está totalmente socializada, fez muitos amigos e conhece todos os professores. Além disso, a escola fica muito mais próxima de casa do que as outras.”
Paula diz que entrou com a ação porque as alternativas disponíveis para deficientes auditivos na rede estadual não eram eficazes. “Minha filha freqüentou as chamadas salas especiais para surdos, mas não deu certo porque eles misturavam crianças de várias idades e séries na mesma turma”, conta.
Em classes de alunos ouvintes, Juliana era obrigada a ler os lábios da professora. “E quando ela virava de costas?”, questiona Paula.
Fonte: Folha de São Paulo
1 comentário »Dispositivo na língua pode ajudar comando de paraplégicos
Imã poderia controlar o mouse do computador ou a cadeira de rodas.
Um grupo de cientistas do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos, apresentou um dispositivo que permite a deficientes físicos controlar uma cadeira de rodas ou operar o computador mexendo apenas a língua.
Chamado de Tongue Drive (Impulso da Língua), o aparelho é um imã do tamanho de um grão de arroz que deve ser implantado da ponta da língua dos pacientes e “substituiria” o cursor do mouse de um computador ou o joystick que controla os movimentos das cadeiras de rodas elétricas.
O movimento do dispositivo magnético é detectado por sensores - que podem ser acoplados a um capacete ou a um aparelho ortodôntico bucal - responsáveis por transmitir os sinais para um computador portátil que pode ser carregado na roupa ou na cadeira de rodas do usuário.
Segundo o professor Maysam Ghovanloo, que desenvolveu o dispositivo ao lado do aluno Xueliang Huo, a língua foi escolhida porque não é controlada pelo cérebro por meio da medula espinhal - danificada nos paraplégicos.
“Ao contrário dos pés e das mãos, que são controlados pelo cérebro através da medula espinhal, a língua é diretamente conectada ao cérebro por um nervo cranial que geralmente escapa dos danos causados em ferimentos na medula e das doenças neuromusculares”, disse Ghovanloo.
“Além disso, os movimentos da língua são rápidos, precisos e não requerem muita atenção, concentração ou esforço”, explica.
Avanço
A equipe de pesquisadores realizou testes do aparelho com 18 pessoas saudáveis, que operaram o mouse do computador e uma cadeira de rodas elétrica apenas com o movimento da língua.
No teste com os computadores, os participantes testaram seis comandos diferentes que substituiriam o clique e o movimento do mouse - esquerda, direita, para cima, para baixo, clique único e dois cliques.
De acordo com os resultados, a resposta do computador para os comandos dados pela língua foram realizadas em menos de um segundo e os participantes tiveram quase 100% de precisão nos comandos.
Um grupo de comandos especial pode também ser desenvolvido para adaptar-se às habilidades e necessidades dos pacientes.
“A pessoa pode potencialmente treinar nosso sistema para reconhecer o toque em dentes diferentes como comandos diferentes”, explica o cientista.
Os cientistas apresentaram o novo dispositivo durante um encontro da Sociedade Americana de Engenharia da Reabilitação e Tecnologia Assistiva, em Washington, nos Estados Unidos.
A equipe ressaltou que, ao contrário de outros dispositivos, o novo aparelho é não-invasivo e seu implante não requer cirurgias complicadas no cérebro.
O próximo passo será testar o dispositivo em pacientes com deficiências graves.
“Esse dispositivo pode revolucionar o campo da tecnologia assistiva ao ajudar indivíduos que sofrem de deficiências sérias, como aqueles que sofreram danos graves na medula espinhal, a ter uma vida mais independente, ativa e produtiva”, afirmou Ghovanloo.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL618560-5603,00.html
Uma história de amor
Já conhecia essa história por um vídeo no Youtube, o Fantástico fez uma excelente reportagem com eles.
Conheça a história emocionante de um pai que nunca desistiu de lutar pela felicidade do filho.
No meio de tantos atletas, um homem tem uma missão maior. Seu filho quer participar, e ele vai atender o desejo do filho. A essa altura, você deve estar cheio de perguntas, tentando entender e até acreditar nesta história. Esta é a história de um pai que nunca desistiu de lutar pela felicidade do filho.
Rick é o mais velho dos três filhos de Dick Hoyt. Durante o parto, o cordão umbilical se enrolou no pescoço. Faltou oxigenação no cérebro, provocando danos irreversíveis. Rick não pode falar ou controlar os movimentos de seus braços e pernas. Parecia condenado.
“Os médicos disseram: ‘Livre-se dele. É melhor interná-lo. Ele vai ser um vegetal o resto da vida’. Nós choramos, mas decidimos tratá-lo como uma criança normal. Ele é o centro das atenções e está sempre incluído em tudo”, conta Dick Hoyt.
Rick sempre teve amor, mas ninguém sabia até que ponto ele conseguia absorver e entender o que se passava a sua volta. A escola achava que ele não tinha capacidade de aprender. Os médicos também.
“Mas aí nós pedimos para os médicos contarem uma piada, e Rick caiu na gargalhada. Eles, então, disseram que talvez haja algo aí dentro”, lembra Dick Hoyt.
Cientistas desenvolveram um sistema de comunicação para Rick. Com o movimento lateral da cabeça, o único que consegue controlar, ele poderia escolher letras que passavam pela tela e, assim, lentamente, escrever palavras.
“Ele tinha 12 anos, e todo mundo estava apostando quais seriam as primeiras palavras da vida dele. Seriam ‘Oi, pai!’ ou ‘Oi, mãe!’?. Que nada! Ele disse: ‘Go, Bruins’, uma frase de incentivo ao Boston Bruins, time de hóquei”, conta Dick Hoyt
Rick participava de tudo. E foi assim que surgiu a idéia de correr.
“Um colega da escola sofreu acidente e ficou paralítico. Foi organizada uma corrida para arrecadar dinheiro para o tratamento. E Rick, através do computador, pediu: ‘Eu tenho que fazer algo por ele. Tenho que mostrar para ele que a vida continua, mesmo que ele esteja paralisado. Eu quero participar da corrida’”, lembra Dick Hoyt. “Eu tinha 40 anos e não era um atleta. Corria três vezes por semana, uns dois quilômetros, só para tentar manter o peso. Nós largamos no meio da galera, e todo mundo achou que a gente só ia até a primeira curva e ia voltar. Mas nós fizemos a prova inteirinha, chegando quase em último, mas não em último. Ao cruzarmos a linha de chegada, Rick tinha o maior sorriso que você já viu. E quando chegamos em casa, ele me disse, através do computador: ‘Pai, durante a corrida, eu sinto como se minha deficiência desaparecesse’. Ele se chamou de ‘pássaro livre’, porque então estava livre para correr e competir com todo mundo”.
Que pai não faria todo o esforço para levar tamanha felicidade a um filho? Dick começou a treinar, e eles resolveram participar de outras provas. Mas a recepção não foi boa.
“Ninguém falava com a gente, ninguém nos queria na corrida. Famílias de outros deficientes me escreviam e estavam com raiva de mim. Perguntavam: ‘O que você está fazendo? Procurando a glória pra você?’. O que eles não sabiam é que Rick é que me empurrava para todas as corridas”, conta Dick Hoyt.
E contra todos, eles foram em frente. Um ano depois, participaram da primeira maratona. Cinco anos mais tarde, veio a idéia do triatlo. Mas, para fazer triatlo com seu filho, Dick Hoyt tinha uma série de problemas para resolver.
Primeiro: equipamento. Não existia nada parecido no mercado. Todo o material de competição teve que ser desenvolvido. E a cada competição, Dick Hoyt tinha que chegar mais cedo para montar tudo.
Mas Dick Hoyt tinha um problema muito maior a resolver para poder fazer triatlo com o filho. Uma coisinha básica: ele não sabia nadar. Mudou-se para uma casa à beira de um lago e foi.
“Nunca vou esquecer o primeiro dia. Eu me joguei no lago e adivinha: afundei. Mas todo dia eu chegava do trabalho e tentava ir um pouquinho mais longe”, conta Dick Hoyt.
Entre o primeiro dia no lago e o primeiro triatlo, foram apenas nove meses. A questão da natação estava resolvida, mas Dick Hoyt ainda tinha mais uma dificuldade pela frente: já fazia um certo tempo que ele não montava numa bicicleta – desde os 6 anos de idade.
O ciclismo é a parte mais difícil para os Hoyt. A bicicleta deles é quase seis vezes mais pesada que a dos outros, sem contar o peso de Rick. Na subida, isso fica claro.
“Ninguém me ensinou a nadar, a pedalar ou a correr como um atleta. Nós simplesmente fizemos. Do nosso jeito”, comenta Dick Hoyt.
Do jeito deles, pai e filho enfrentaram os mais incríveis desafios. O mais impressionante: o Iron Man, no Havaí, o mais duro dos triatlos. São 3,8 mil metros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e uma maratona inteira no fim: 42,195 quilômetros de corrida em mais de 13 horas de um esforço sobre-humano.
Dick e Rick venceram a desconfiança. Hoje são queridos onde chegam. Recebem incentivos dos outros competidores a todo instante e até agradecimentos.
“Vocês são incríveis. Obrigada”, diz uma triatleta.
Um rapaz diz que resolveu fazer triatlo por causa deles: “Hoje foi minha primeira corrida e eu gostaria de agradecê-los por serem minha inspiração”.
“É de emocionar, porque você começa a refletir o que tem feito da sua vida”, comenta uma mulher.
“É a parte mais fenomenal do triatlo. É incrível o que esse homem faz com seu filho”, elogia outra mulher.
“Ele é um grande homem. Ele tem coração, é um bom homem”, ressalta um atleta.
Desde 1980, foram seis edições de Iron Man, 66 maratonas e competições de diversos tipos. Pai e filho completaram 975 provas juntos. Jamais abandonaram uma sequer e nunca chegaram em último lugar. Eles têm orgulho de dizer: “Chegamos perto do último, mas nunca em último”. Sempre com o mesmo final apoteótico: público comovido, braços abertos e aquele mesmo sorriso enorme na linha de chegada.
Atualmente, Rick tem 46 anos. Com o movimento da cabeça, escreve no computador frases que serão faladas por um sintetizador de voz. É um homem bem-humorado. “As pessoas, às vezes, ficam olhando para mim. Eu espero que seja porque eu estou muito bonito”, brinca.
Rick formou-se em educação especial na Universidade de Boston. “Não dá para descrever a felicidade no dia da formatura. Foi minha maior realização. Eu mostrei para as pessoas que elas não têm que sentar e esperar a vida passar”, comenta.
Hoje ele não mora mais com o pai. Mora sozinho, com a ajuda de pessoas contratadas para dar assistência. E se você fica dois minutos com Rick, jamais vai esquecer o seu sorriso.
“Ele é muito, muito, muito feliz. Provavelmente, mais feliz do que 95% da população”, afirma o pai, Dick Hoyt, que escreveu um livro e criou uma fundação para ajudar outras pessoas com paralisia cerebral. Hoje o superpai tem 68 anos e impressiona pelo vigor que continua apresentando.
Aos 52, empurrando Rick, conseguiu o incrível tempo de 2h40m na Maratona de Boston, pouco mais de meia hora acima do recorde mundial. Marca excelente para um amador, sensacional para uma pessoa dessa idade e inacreditável para quem corre empurrando uma cadeira de rodas.
“Já me disseram para competir sozinho, mas eu não faço nada sozinho. Nós começamos como um time e é assim que vai ser. O que importa para mim é estar aqui e competindo ao lado do Rick”, afirma Dick Hoyt.
Por isso, eles se chamam “Team Hoyt” – o time Hoyt, a equipe Hoyt. Pai e filho, inseparáveis. Richard Eugene Hoyt e Richard Eugene Hoyt Junior: uma mensagem viva para o mundo.
“Nossa mensagem é: ‘Sim, você pode’. Não há, no nosso vocabulário, a palavra ‘impossível’. Esse é o nosso lema. E nós continuaremos com ele até o fim”, garante Dick Hoyt.
Fonte: Fantástico
Link da reportagem: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1684151-4005,00.html
Anômalografado por Carlos
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