Deficiente auditiva terá intérprete na sala de aula
Ação foi impetrada em 2006 pela mãe da garota; um processo posterior, julgado antes, conseguiu 4 salas com intérprete na cidade
Juíza de Marília determina que escola estadual tenha tradutor para Juliana, 13
PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL
A comerciante Paula Cristina Martelato, 40, mãe da deficiente auditiva Juliana, 13, conseguiu na Justiça de Marília (435 km de SP) o direito de ter um intérprete em Libras (língua brasileira de sinais) na sala de aula da menina. O intérprete vai traduzir o que a professora diz para os outros alunos.
Paula ajuizou a ação em setembro de 2006. Logo depois a promotoria da comarca reivindicou o mesmo para um outro grupo de alunos. A ação conjunta foi julgada (favorável) antes. Hoje já há duas escolas e quatro salas com intérprete para surdos em Marília. Juliana estuda em uma terceira.
A sentença foi dada pela juíza da 1ª Vara Cível de Marília, Paula Jacqueline Bredariol de Oliveira, e publicada dia 29. A mãe de Juliana foi a primeira a ajuizar ação do tipo no Estado, segundo a Secretaria da Educação. A menina ainda aguarda pelo intérprete. Caso não cumpra a determinação em um mês, o Estado sofre multa de R$ 450 por dia. Cabe recurso.
O advogado da menina, Rabih Sami Nemer, diz que entrou com um pedido de “antecipação de tutela” para que Juliana tenha o seu direito garantido, mesmo que o Estado recorra. “Ela está na sétima série. Se esperar pela tramitação e julgamento do recurso, pode estar formada”, diz.
Nemer parte agora para outro impasse. “O exame de proficiência em Libras é concedido pelo MEC. Só que o Estado não regulamenta a contratação deste professor. Então, como vão contratar um profissional para um cargo que não existe?”
A Secretaria Estadual da Educação afirma, por meio de sua assessoria, que vai cumprir a determinação da Justiça de Marília. Mas afirma que o cargo de intérprete de Libras não foi criado ainda porque o decreto 5.626 de 2005 estipula um prazo de dez anos para que o Estado atenda à legislação. Diz ainda que a “criação de cargos é atribuição da Assembléia Legislativa”. Já a Assembléia diz que o Legislativo não pode impor despesas ao Executivo.
As intérpretes que já atuam em Marília -nas escolas das crianças que ganharam a causa conjunta- são oriundas do Cape (Centro de Apoio Pedagógico Especializado), criado para atender alunos especiais da rede estadual. Essas intérpretes não têm, necessariamente, o diploma de proficiência.
No Brasil, a Universidade Federal de Santa Catarina é pioneira no ensino do curso superior de Libras. A universidade também aplica o exame de proficiência. Em São Paulo, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos oferece curso de 120 horas (R$ 115), com material desenvolvido em conjunto com supervisores do MEC. A Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, o Derdic, da PUC, é outra referência.
Solução
Uma solução para atender a Juliana rapidamente seria transferi-la para uma das duas escolas de Marília em que já há intérpretes, mas a mãe dela não pretende fazê-lo: “Minha filha está totalmente socializada, fez muitos amigos e conhece todos os professores. Além disso, a escola fica muito mais próxima de casa do que as outras.”
Paula diz que entrou com a ação porque as alternativas disponíveis para deficientes auditivos na rede estadual não eram eficazes. “Minha filha freqüentou as chamadas salas especiais para surdos, mas não deu certo porque eles misturavam crianças de várias idades e séries na mesma turma”, conta.
Em classes de alunos ouvintes, Juliana era obrigada a ler os lábios da professora. “E quando ela virava de costas?”, questiona Paula.
Fonte: Folha de São Paulo
1 comentário »Dispositivo na língua pode ajudar comando de paraplégicos
Imã poderia controlar o mouse do computador ou a cadeira de rodas.
Um grupo de cientistas do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos, apresentou um dispositivo que permite a deficientes físicos controlar uma cadeira de rodas ou operar o computador mexendo apenas a língua.
Chamado de Tongue Drive (Impulso da Língua), o aparelho é um imã do tamanho de um grão de arroz que deve ser implantado da ponta da língua dos pacientes e “substituiria” o cursor do mouse de um computador ou o joystick que controla os movimentos das cadeiras de rodas elétricas.
O movimento do dispositivo magnético é detectado por sensores - que podem ser acoplados a um capacete ou a um aparelho ortodôntico bucal - responsáveis por transmitir os sinais para um computador portátil que pode ser carregado na roupa ou na cadeira de rodas do usuário.
Segundo o professor Maysam Ghovanloo, que desenvolveu o dispositivo ao lado do aluno Xueliang Huo, a língua foi escolhida porque não é controlada pelo cérebro por meio da medula espinhal - danificada nos paraplégicos.
“Ao contrário dos pés e das mãos, que são controlados pelo cérebro através da medula espinhal, a língua é diretamente conectada ao cérebro por um nervo cranial que geralmente escapa dos danos causados em ferimentos na medula e das doenças neuromusculares”, disse Ghovanloo.
“Além disso, os movimentos da língua são rápidos, precisos e não requerem muita atenção, concentração ou esforço”, explica.
Avanço
A equipe de pesquisadores realizou testes do aparelho com 18 pessoas saudáveis, que operaram o mouse do computador e uma cadeira de rodas elétrica apenas com o movimento da língua.
No teste com os computadores, os participantes testaram seis comandos diferentes que substituiriam o clique e o movimento do mouse - esquerda, direita, para cima, para baixo, clique único e dois cliques.
De acordo com os resultados, a resposta do computador para os comandos dados pela língua foram realizadas em menos de um segundo e os participantes tiveram quase 100% de precisão nos comandos.
Um grupo de comandos especial pode também ser desenvolvido para adaptar-se às habilidades e necessidades dos pacientes.
“A pessoa pode potencialmente treinar nosso sistema para reconhecer o toque em dentes diferentes como comandos diferentes”, explica o cientista.
Os cientistas apresentaram o novo dispositivo durante um encontro da Sociedade Americana de Engenharia da Reabilitação e Tecnologia Assistiva, em Washington, nos Estados Unidos.
A equipe ressaltou que, ao contrário de outros dispositivos, o novo aparelho é não-invasivo e seu implante não requer cirurgias complicadas no cérebro.
O próximo passo será testar o dispositivo em pacientes com deficiências graves.
“Esse dispositivo pode revolucionar o campo da tecnologia assistiva ao ajudar indivíduos que sofrem de deficiências sérias, como aqueles que sofreram danos graves na medula espinhal, a ter uma vida mais independente, ativa e produtiva”, afirmou Ghovanloo.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL618560-5603,00.html
Uma história de amor
Já conhecia essa história por um vídeo no Youtube, o Fantástico fez uma excelente reportagem com eles.
Conheça a história emocionante de um pai que nunca desistiu de lutar pela felicidade do filho.
No meio de tantos atletas, um homem tem uma missão maior. Seu filho quer participar, e ele vai atender o desejo do filho. A essa altura, você deve estar cheio de perguntas, tentando entender e até acreditar nesta história. Esta é a história de um pai que nunca desistiu de lutar pela felicidade do filho.
Rick é o mais velho dos três filhos de Dick Hoyt. Durante o parto, o cordão umbilical se enrolou no pescoço. Faltou oxigenação no cérebro, provocando danos irreversíveis. Rick não pode falar ou controlar os movimentos de seus braços e pernas. Parecia condenado.
“Os médicos disseram: ‘Livre-se dele. É melhor interná-lo. Ele vai ser um vegetal o resto da vida’. Nós choramos, mas decidimos tratá-lo como uma criança normal. Ele é o centro das atenções e está sempre incluído em tudo”, conta Dick Hoyt.
Rick sempre teve amor, mas ninguém sabia até que ponto ele conseguia absorver e entender o que se passava a sua volta. A escola achava que ele não tinha capacidade de aprender. Os médicos também.
“Mas aí nós pedimos para os médicos contarem uma piada, e Rick caiu na gargalhada. Eles, então, disseram que talvez haja algo aí dentro”, lembra Dick Hoyt.
Cientistas desenvolveram um sistema de comunicação para Rick. Com o movimento lateral da cabeça, o único que consegue controlar, ele poderia escolher letras que passavam pela tela e, assim, lentamente, escrever palavras.
“Ele tinha 12 anos, e todo mundo estava apostando quais seriam as primeiras palavras da vida dele. Seriam ‘Oi, pai!’ ou ‘Oi, mãe!’?. Que nada! Ele disse: ‘Go, Bruins’, uma frase de incentivo ao Boston Bruins, time de hóquei”, conta Dick Hoyt
Rick participava de tudo. E foi assim que surgiu a idéia de correr.
“Um colega da escola sofreu acidente e ficou paralítico. Foi organizada uma corrida para arrecadar dinheiro para o tratamento. E Rick, através do computador, pediu: ‘Eu tenho que fazer algo por ele. Tenho que mostrar para ele que a vida continua, mesmo que ele esteja paralisado. Eu quero participar da corrida’”, lembra Dick Hoyt. “Eu tinha 40 anos e não era um atleta. Corria três vezes por semana, uns dois quilômetros, só para tentar manter o peso. Nós largamos no meio da galera, e todo mundo achou que a gente só ia até a primeira curva e ia voltar. Mas nós fizemos a prova inteirinha, chegando quase em último, mas não em último. Ao cruzarmos a linha de chegada, Rick tinha o maior sorriso que você já viu. E quando chegamos em casa, ele me disse, através do computador: ‘Pai, durante a corrida, eu sinto como se minha deficiência desaparecesse’. Ele se chamou de ‘pássaro livre’, porque então estava livre para correr e competir com todo mundo”.
Que pai não faria todo o esforço para levar tamanha felicidade a um filho? Dick começou a treinar, e eles resolveram participar de outras provas. Mas a recepção não foi boa.
“Ninguém falava com a gente, ninguém nos queria na corrida. Famílias de outros deficientes me escreviam e estavam com raiva de mim. Perguntavam: ‘O que você está fazendo? Procurando a glória pra você?’. O que eles não sabiam é que Rick é que me empurrava para todas as corridas”, conta Dick Hoyt.
E contra todos, eles foram em frente. Um ano depois, participaram da primeira maratona. Cinco anos mais tarde, veio a idéia do triatlo. Mas, para fazer triatlo com seu filho, Dick Hoyt tinha uma série de problemas para resolver.
Primeiro: equipamento. Não existia nada parecido no mercado. Todo o material de competição teve que ser desenvolvido. E a cada competição, Dick Hoyt tinha que chegar mais cedo para montar tudo.
Mas Dick Hoyt tinha um problema muito maior a resolver para poder fazer triatlo com o filho. Uma coisinha básica: ele não sabia nadar. Mudou-se para uma casa à beira de um lago e foi.
“Nunca vou esquecer o primeiro dia. Eu me joguei no lago e adivinha: afundei. Mas todo dia eu chegava do trabalho e tentava ir um pouquinho mais longe”, conta Dick Hoyt.
Entre o primeiro dia no lago e o primeiro triatlo, foram apenas nove meses. A questão da natação estava resolvida, mas Dick Hoyt ainda tinha mais uma dificuldade pela frente: já fazia um certo tempo que ele não montava numa bicicleta – desde os 6 anos de idade.
O ciclismo é a parte mais difícil para os Hoyt. A bicicleta deles é quase seis vezes mais pesada que a dos outros, sem contar o peso de Rick. Na subida, isso fica claro.
“Ninguém me ensinou a nadar, a pedalar ou a correr como um atleta. Nós simplesmente fizemos. Do nosso jeito”, comenta Dick Hoyt.
Do jeito deles, pai e filho enfrentaram os mais incríveis desafios. O mais impressionante: o Iron Man, no Havaí, o mais duro dos triatlos. São 3,8 mil metros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e uma maratona inteira no fim: 42,195 quilômetros de corrida em mais de 13 horas de um esforço sobre-humano.
Dick e Rick venceram a desconfiança. Hoje são queridos onde chegam. Recebem incentivos dos outros competidores a todo instante e até agradecimentos.
“Vocês são incríveis. Obrigada”, diz uma triatleta.
Um rapaz diz que resolveu fazer triatlo por causa deles: “Hoje foi minha primeira corrida e eu gostaria de agradecê-los por serem minha inspiração”.
“É de emocionar, porque você começa a refletir o que tem feito da sua vida”, comenta uma mulher.
“É a parte mais fenomenal do triatlo. É incrível o que esse homem faz com seu filho”, elogia outra mulher.
“Ele é um grande homem. Ele tem coração, é um bom homem”, ressalta um atleta.
Desde 1980, foram seis edições de Iron Man, 66 maratonas e competições de diversos tipos. Pai e filho completaram 975 provas juntos. Jamais abandonaram uma sequer e nunca chegaram em último lugar. Eles têm orgulho de dizer: “Chegamos perto do último, mas nunca em último”. Sempre com o mesmo final apoteótico: público comovido, braços abertos e aquele mesmo sorriso enorme na linha de chegada.
Atualmente, Rick tem 46 anos. Com o movimento da cabeça, escreve no computador frases que serão faladas por um sintetizador de voz. É um homem bem-humorado. “As pessoas, às vezes, ficam olhando para mim. Eu espero que seja porque eu estou muito bonito”, brinca.
Rick formou-se em educação especial na Universidade de Boston. “Não dá para descrever a felicidade no dia da formatura. Foi minha maior realização. Eu mostrei para as pessoas que elas não têm que sentar e esperar a vida passar”, comenta.
Hoje ele não mora mais com o pai. Mora sozinho, com a ajuda de pessoas contratadas para dar assistência. E se você fica dois minutos com Rick, jamais vai esquecer o seu sorriso.
“Ele é muito, muito, muito feliz. Provavelmente, mais feliz do que 95% da população”, afirma o pai, Dick Hoyt, que escreveu um livro e criou uma fundação para ajudar outras pessoas com paralisia cerebral. Hoje o superpai tem 68 anos e impressiona pelo vigor que continua apresentando.
Aos 52, empurrando Rick, conseguiu o incrível tempo de 2h40m na Maratona de Boston, pouco mais de meia hora acima do recorde mundial. Marca excelente para um amador, sensacional para uma pessoa dessa idade e inacreditável para quem corre empurrando uma cadeira de rodas.
“Já me disseram para competir sozinho, mas eu não faço nada sozinho. Nós começamos como um time e é assim que vai ser. O que importa para mim é estar aqui e competindo ao lado do Rick”, afirma Dick Hoyt.
Por isso, eles se chamam “Team Hoyt” – o time Hoyt, a equipe Hoyt. Pai e filho, inseparáveis. Richard Eugene Hoyt e Richard Eugene Hoyt Junior: uma mensagem viva para o mundo.
“Nossa mensagem é: ‘Sim, você pode’. Não há, no nosso vocabulário, a palavra ‘impossível’. Esse é o nosso lema. E nós continuaremos com ele até o fim”, garante Dick Hoyt.
Fonte: Fantástico
Link da reportagem: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1684151-4005,00.html
Anômalografado por Carlos
Sem comentários »MPF pede que MEC só autorize cursos adaptados para deficientes
O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo recomendou que o Ministério da Educação (MEC) só autorize e reconheça cursos superiores que tenham instalações adaptadas para deficientes.
A orientação do Ministério Público também é a de só credenciar instituições que tenham acessibilidade para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida estabelecidas pela lei e nas normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Adriana da Silva Fernandes, a legislação brasileira prevê que sejam eliminadas todas as formas de discriminação contra pessoas portadoras de deficiência. Assim, barreiras físicas prejudicam a independência dos deficientes.
A assessoria de imprensa do MEC disse que o órgão já estuda a recomendação e que tem um mês para respondê-la, já que ela não tem força de decisão judicial.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://m.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL617007-5604,00-MPF+PEDE+QUE+MEC+SO+AUTORIZE+CURSOS+ADAPTADOS+PARA+DEFICIENTES.html
André Brasil espera maior reconhecimento após as Paraolimpíadas
Rafael Krieger
Em São Paulo
Confirmado para as Paraolimpíadas em setembro, o nadador André Brasil, recordista mundial em cinco provas e detentor de cinco medalhas de ouro no Parapan do Rio em 2007, espera ter um sentimento diferente caso alcance a glória em Pequim.
“Espero que não seja a mesma sensação do Parapan. Foi uma grande festa, tivemos ótimos resultados, mas parece que fica por aí, é um reconhecimento passageiro”, reclama o atleta da categoria S10 (seqüela de poliomielite) recordista mundial nos 50m, 100m e 800m livre e 50m e 100m borboleta.
Para ele, ainda falta incentivo de patrocinadores e da mídia para que o esporte siga evoluindo, mesmo fora da temporada dos grandes eventos. “Um maior incentivo poderia ajudar a melhorar a vida de muitos outros deficientes físicos através do esporte”, completa.
André cita o exemplo de Clodoaldo Silva, que levou o Brasil a grandes resultados internacionais, para pedir mais reconhecimento. E é o contato com atletas consagrados como Clodoaldo que o inspira a alcançar o objetivo máximo em Pequim.
“É muito bom estar perto do Clodoaldo. Lembro da minha primeira competição internacional, em 2006. Fiquei nervoso, fui para o banheiro chorando, ele veio falar comigo e me convenceu a entrar na piscina”.
Em Pequim, André Brasil já sabe que vai ter que enfrentar a pressão por resultados, principalmente nas provas em que é recordista e favorito. “O bom retrospecto traz segurança e ao mesmo tempo o contrário. Tem que ter muita calma”, explica o nadador, que espera pelo menos alcançar o pódio em todas as provas em que é recordista.
Fonte: Uol
Link da notícia: http://olimpiadas.uol.com.br/ultimas/2008/06/25/ult5584u2253.jhtm
Adaptação do edifício a necessidades especiais pode ser exigida na Justiça
MARIANA DESIMONE
da Folha de S.Paulo
A regra vale desde 1993: por uma lei municipal, as áreas comuns de condomínios devem ter acessibilidade para pessoas com deficiência física.
Assim, um cadeirante ou um deficiente visual precisa ter condições de transitar por todas as áreas comuns. Para tanto, elas precisam ter rampas, banheiros adaptados e recuos em halls e corredores, entre outros itens.
Mas nem sempre a acessibilidade projetada se converte em realidade. Muitos condomínios não se encaixam bem nesse conceito –alguns construídos depois da vigência da lei.
O consultor e cadeirante Edison Passafaro, 47, por exemplo, teve que brigar pelo seu direito.
“No ato da compra [há seis anos], garantiram que as áreas comuns estariam todas dentro da norma, para que eu pudesse circular pelo prédio”, conta.
Ao ver a obra finalizada, teve uma surpresa. “Sobravam desníveis e degraus. Tive que ameaçar processar a construtora e o engenheiro responsável para que deixassem tudo como é certo”, aponta.
Para Evandro Zuliani, diretor de atendimento do Procon-SP, a acessibilidade não precisa ser “previamente avisada”, como exigiu Passafaro.
“Prédio acessível não precisa ser pedido. Se a construtora não entregar as áreas comuns de acordo com a lei, é possível acionar o Procon ou procurar os juizados especiais cíveis.”
O coordenador do comitê de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP (sindicato de construtoras), Mauricio Bianchi, vê outra realidade atualmente: “Hoje, não conheço empreendimentos que sejam lançados sem rampas, vagas especiais e tudo o mais dentro da lei”.
Bianchi afirma que, sem a viabilização dos equipamentos de acessibilidade previstos no projeto, ele não sai do papel.
“E é bem mais difícil colocar itens, como rampas, depois da fase do projeto. Sua aprovação [na prefeitura] também fica prejudicada”, reconhece.
A presidente do Instituto Brasil Acessível, Sandra Perito, concorda: “Consertar depois nem sempre é possível”.
Restrições
Para comprar um elevador adaptado de fábrica por exemplo, o custo é de 10% a 15% maior que o comum, calcula Daniel Luz, gerente de marketing da fabricante Otis.
“Nesses casos, a dimensão do elevador é de 1,1 m por 1,4 m, com sintetizadores de voz, dois painéis de operação com botões para leitura em braile, corrimão e lanternas com gongo [sinal sonoro]”, explica.
Mesmo com essa verba em caixa, às vezes o tamanho da torre do elevador inviabiliza a reforma. “Os elevadores minúsculos são mais complicados [para reformar]”, constata Luz.
“Não dá para implodir o prédio inteiro. Tem também lugares em que não dá para abrir um corredor para a passagem da cadeira de rodas. Aí, o prédio nunca vai poder abrigar um cadeirante”, conclui Perito.
Fonte: Folha de São Paulo
Link da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/folha/classificados/imoveis/ult1669u414932.shtml
Assim Como Você
Vai ai uma dica de um blog excelente do nosso amigo Jairo Marques.


O Blog Assim como você, editado pelo jornalista Jairo Marques, que é cadeirante, aborda
aspectos da vida de pessoas que são fora do padrão. Aqui, você vai encontrar histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, mentais ou de idade, vive de forma plena. O espaço também traz serviços, dicas e debates para uma vida mais acessível a todos.
Link para o blog: http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/
Parabéns pelo blog Jairo, show de bola!!!
Anômalografado por Carlos
4 comentários »Indústria dos games tenta se adaptar a jogadores com necessidades especiais
Deficientes visuais, auditivos e físicos já encontram jogos e controles específicos.
Para especialistas, ainda falta empenho dos produtores para facilitar o acesso aos games.
Os games são uma parte importante da vida hoje e não podem continuar inacessíveis a pessoas que tenham algum tipo de deficiência.” Foi assim que a pesquisadora Michelle Hinn, da Universidade de Illinois, alertou os executivos da Game Developers Conference (GDC), em fevereiro de 2008, para um assunto ainda ignorado pela indústria dos videogames: existem pessoas com deficiências, e elas não conseguem jogar a maioria dos títulos que estão no mercado.
Segundo dados apresentados por Hinn, cerca de 10% a 20% da população é impossibilitada de jogar hoje devido a alguma deficiência (auditiva ou visual, por exemplo) e à falta de cooperação dos produtores. O que ela e outras comunidades pela internet pedem não são jogos “chatos” e nem mudanças radicais na indústria.
“Não se trata nem de produzir coisas especiais para pessoas com deficiência, mas de levar em consideração alguns aspectos que muitas vezes não vão nem elevar o custo de produção”, diz Ron Beenen, do projeto holandês Game Accessibility (http://www.game-accessibility.com), que formou mais uma comunidade on-line voltada aos jogadores com necessidades especiais.
Ron diz que existem diversas pessoas envolvidas no projeto, mas que o crescimento aconteceu mesmo na internet, com a comunicação entre usuários. No site oficial o jogador pode trocar informações e também conferir a lista de sugestões de jogos para cada tipo de deficiência: visual, auditiva, física e de aprendizado.
Qual é a cor?
Uma das deficiências que mais incomodam os jogadores é o daltonismo. A incapacidade de diferenciar cores é um obstáculo cruel nos jogos casuais ao estilo “Tetris”, em que é necessário estabelecer certas combinações de peças coloridas para atingir objetivos.
Um jogador que não consegue distinguir o verde do vermelho, por exemplo, terá dificuldades quando essas duas cores aparecerem no jogo.
A produtora Pop Cap Games, porém, desenvolveu um mecanismo para que o daltônico possa jogar normalmente. Em jogos como “Bejeweled” e “Peggle”, em que as cores assumem papel fundamental, existe a opção “colorblind mode”, que pode ser acionada para adaptar as cores das peças de forma a evitar os erros de identificação que comumente afetam os daltônicos.

‘Peggle’ é um dos jogos casuais com opção de cores para daltônicos (Foto: Reprodução)
A maioria dos jogos de ação, porém, ainda não está adaptada. Jogos de guerra em campo aberto, como “Battlefield 2142”, que identifica exércitos inimigos por setas coloridas, muitas vezes utilizam cores que podem ser confundidas por daltônicos – principalmente quando a batalha envolve raciocínio rápido e ação frenética.
No lugar do som
Já o jogador com deficiência auditiva pode ter dificuldades em jogos de tiro e ação, gêneros em que o cenário 3D traz muitas informações que não podem ser captadas apenas pelos olhos. Os sons de passos de um inimigo, uma porta que se abre ou um alarme que dispara, por exemplo, são fundamentais para que o jogador entenda o que está acontecendo.

‘Portal’, da produtora Valve, tem legendas que reproduzem os efeitos sonoros (Foto: Reprodução)
A série de tiro “Half-Life”, da produtora Valve, foi uma das primeiras a tentar resolver essa questão. O jogo tem a função “closed caption”, que reproduz em legenda na tela todos os efeitos sonoros que estiverem ocorrendo. A opção também pode ser usada para reproduzir em texto os diálogos dos personagens.
As legendas também estão disponíveis em outros jogos da mesma produtora, como o sucesso de 2007 “Portal”, em que o jogador avança por cenários de teste em que cada detalhe é importante para a solução dos labirintos.
Com uma mão só
Ben Heckendorn é o engenheiro que ganhou fama na internet ao divulgar as façanhas tecnológicas que lhe renderam o apelido de “mago”. A maioria dos projetos no currículo de Ben envolve a transformação de consoles de videogame em peças portáteis.
Consoles como PlayStation 3, Xbox 360 e clássicos como o Neo Geo e o Atari já passaram pela garagem de Ben e ganharam suas versões portáteis, muitas vezes consideradas “profissionais” pela imprensa especializada.

Os 12 botões e as duas alavancas do controle de Xbox 360 em uma peça só (Foto: Divulgação)
Mas Ben também pensa nos jogadores deficientes. Dois de seus projetos são joysticks que podem ser manipulados com apenas uma mão. O engenheiro desmonta os controles, cria seu próprio design e reposiciona os botões de forma que uma pessoa que só tenha os movimentos de uma mão seja capaz de executar todas as funções nos complexos jogos modernos.

‘Access Controller’ é o joystick ‘de uma mão só’ para PC, PS2 e PS3 (Foto: Divulgação)
O Access Controller, projeto que virou produto e é vendido por US$ 129,95 nos Estados Unidos, pode ser usado para jogos de PC, PlayStation 2 e PlayStation 3. O outro “controle de uma mão só” feito por Ben reuniu em uma só peça os 12 botões e as duas alavancas do controle de Xbox 360. O invento, porém, ainda é um protótipo e não é comercializado.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL609941-6174,00.html
Australiano é preso por usar cadeira de rodas bêbado
Homem de 64 anos estava adormecido na cadeira de rodas em uma auto-estrada.
A polícia da cidade de Cairns, no norte da Austrália, indiciou um homem por dirigir bêbado com uma cadeira de rodas motorizada.
Os policiais encontraram o homem, de 64 anos, na manhã de sexta-feira na saída de uma movimentada auto-estrada da região.
A cadeira de rodas estava ligada em alta velocidade, mas o homem estava dormindo. Ele estava com 0,31 de nível de álcool, seis vezes acima do limite permitido.
Quando os policiais o acordaram, o homem disse que estava indo visitar alguns amigos. Ele terá de se apresentar a um tribunal no próximo mês.
Bob Walters, o chefe de polícia local, disse que a atitude do homem foi “uma receita para o desastre”.
“É fora da lei, é inaceitável e as pessoas deveriam perceber que isso pode levar a fatalidades”, disse o policial ao jornal local Cairns Post.
Ele disse que a polícia também pode punir quem conduz cavalos, bicicletas e skates sob efeito de álcool.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL610486-5602,00.html
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CELIO MESSIAS/AE

KAJURU - Jornalista só tem 30% da visão. Seus óculos exibem vídeos e funcionam com o celular e o iPod
Valor da tecnologia de ponta e alta taxa de importação atrapalham o deficiente, mas isso aos poucos começa a mudar
Quem acompanha o jornalista Jorge Kajuru pela TV deve ter estranhado os óculos escuros que ele tem usado. De cara, fica-se com a sensação de que ele está fazendo alguma graça. Mas, por trás daquelas lentes, o polêmico jornalista pode estar lendo uma mensagem de texto ou voz deixada em seu celular. Detalhe: enquanto apresenta seu programa.
“O (José Luiz) Datena sempre me liga corrigindo algo que falei ao vivo. Esses óculos são o ponto eletrônico dos amigos”, brinca. Kajuru é cego do olho direito, em razão de um deslocamento de retina. Do esquerdo, tem somente 30% da visão, fruto de diabete. Recentemente ele foi para Houston (EUA) tentar fazer a última cirurgia para corrigir o deslocamento.
Os médicos acabaram recomendando que ele comprasse esses óculos da Oakley (com memória de 10 GB), que ele deixa sincronizado com seu celular e toca-MP3. Pelas lentes do acessório , o jornalista vê vídeos, lê livros eletrônicos e usa o telefone móvel por comando de viva-voz. “Para ler um texto antes eu tinha de deixá-lo no computador com o corpo 32”, diz.
O gadget custou cerca de US$ 1,3 mil. Um valor inacessível para o bolso da maioria dos brasileiros. Deficientes, nem se fala. De acordo com a ONU, 82% das pessoas com deficiência vivem abaixo da linha da pobreza. Isso nos países em desenvolvimento.
São três os fatores que fazem os aparelhos feitos para pessoas com deficiência custarem tão caro. Para começar, trata-se de tecnologia de ponta, do que há de mais moderno no mercado – o que explica o investimento. “O barato pode sair caro. A qualidade é tudo para a gente, pois a minha deficiência é o meu 100%”, justifica Antonieti Bernardes, que possui 40% da visão só no olho esquerdo.
Em segundo lugar, os impostos. A maioria dos eletrônicos topo de linha é importada. “A taxação de impostos é muito alta. O preço de um aparelho chega a dobrar quando chega ao Brasil”, diz Guilherme Lira, da Tec Assistiva, uma empresa que comercializa produtos nacionais e internacionais voltados para o deficiente e idoso.
Segundo Fernardo Ruibal Solla, diretor de negócios da Techaccess, o Brasil é um dos poucos países a taxar esse tipo de produto. “Nos Estados Unidos e na Europa não cobram.” Por fim, entra o fator de que a maioria desses aparelhos não é feita em grande escala, e alguns até são customizados – vide a cadeira de rodas de US$ 30 mil de Marco Antonio Pellegrini.
Então o que acontece com os deficientes que não têm como pagar por essas tecnologias ? “Usamos o software pirata, assim como muita gente faz com o Windows”, ri o deficiente visual Marco Antonio de Queiroz, o MAQ.
Como exemplo, ele cita o Jaws, software leitor de tela para, veja só, o Windows. “Sua versão demo só pode ser usada umas 50 vezes e a oficial é muito cara. As melhores opções custam mais de US$ 1 mil”, diz.
Existem alguns programas gratuitos na web, porém, e que estão em desenvolvimento constante. MAQ elogia o leitor de tela australiano NVDA, um software livre que tem até versão em português. Também é grande o número de desenvolvedores brasileiros que trabalham para fornecer, na faixa, aplicativos para quem tem algum tipo de deficiência (leia na página 10).
Outra maneira é a realização de parcerias entre empresas e quem desenvolve esses softwares especiais. A Vivo lançou um modelo do aparelho Nokia E65 que já vem com o Talks, um programa de viva-voz utilizado por cegos. Fabricado pela americana Nuance, custa R$ 730 originalmente.
Os bancos Real e Bradesco têm parceria com a empresa Micropower, que produz o Virtual Vision, um leitor de tela nacional. Clientes desses dois bancos têm direito a ganhar esse programa. “Devido ao alto preço é mais viável para uma empresa comprar esse tipo de tecnologia do que para uma pessoa comum”, justifica Bernardes, que trabalha na Laratec, unidade de negócios da ONG Laramara.
Devido ao limitado mercado consumidor, muitos fabricantes focam seus produtos para deficientes apenas para o mercado corporativo. Daí a importância da Lei de Cotas (leia página anterior).
DIA-A-DIA
Mas não são apenas os programas especiais que podem ser benéficos a pessoas com deficiências. Tecnologias presentes no cotidiano das pessoas também. Um exemplo recente é o 3G, a terceira geração de internet banda larga via rede celular.
A teleconferência – quando duas pessoas se comunicam via video[TEXTO]chamada – é uma solução para surdos e mudos falarem ao celular. No filme [/TEXTO]Babel (2006), a surda-muda Cheiko Wataya aponta a câmera para seu rosto e conversa pela linguagem de sinais com suas amigas.
Os sistemas operacionais da Microsoft e da Apple também trazem ferramentas de acessibilidade. No caso do Windows, é só entrar em Programas / Acessórios / Acessibilidade. Pode-se alterar o tamanho da fonte de letras, diminuir ou aumentar a iluminação da tela e modificar algumas funções do teclado. Também se encontram teclado e lupa virtuais, além do Narrator, que é um leitor de texto próprio.
Para quem usa Mac, clica-se no logo da maçã no topo do lado esquerdo da tela. Daí é só entrar em Preferência do Sistema / Sistema / Acesso Universal para configurar o micro de acordo com suas necessidades especiais. B.G. e G.M.
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