Brasileira fará tratamento com células-tronco
Daniela Bortman ficou tetraplégica e vai receber implante na China.
Uma jovem de 25 anos, estudante de medicina, embarcou neste domingo para Pequim. Daniela Bortman, que ficou tetraplégica após um acidente de carro em 2006, está cruzando o mundo para receber um implante de células-tronco. Um tratamento experimental e polêmico, com um médico que vem despertando tanta esperança quanto controvérsia: o doutor Huang Hongyun.
“Eu não acho que uma paraplegia, uma tetraplegia seja sentença de infelicidade, entende? Porém eu gostaria de conseguir estar feliz na minha condição. E eu sinceramente tento, mas eu não consigo”, diz a estudante de medicina Daniela Bortman.
Há dois anos e meio, Daniela espera por um milagre.
“Para mim essa cadeira não me pertence. Não tem um dia que eu não acorde só para melhorar”, diz Daniela.
Em 1º de abril de 2006, a bela estudante de medicina voltava de uma festa de faculdade em Taubaté, interior de São Paulo. O apartamento de Daniela ficava na mesma rua, mas um colega ofereceu carona.
“A gente nem se preocupou em colocar cinto”, lembra Daniela.
Faltava apenas um quarteirão para chegar ao prédio em que ela morava. Quando eles passaram por um cruzamento, um outro veículo em alta velocidade bateu. A colisão foi tão forte que o carro em que eles estavam foi arremessado para uma árvore.
Os dois motoristas haviam bebido. Daniela fraturou a coluna e perdeu os movimentos do corpo. O rapaz que bateu no carro dela estuda na mesma faculdade. Eles se cruzam todos os dias pelos corredores.
“Ele foi condenado por lesão corporal. Pagou uma ambulância para o hospital. O baque emocional foi proporcional ao trauma físico. Ninguém sabe o que é você depender do outro escovar o teu dente, do outro arrumar o teu cabelo”, conta Daniela.
Por mês, são R$ 13 mil gastos com o regime de internação domiciliar. A família teve que vender uma casa para arcar com as despesas do tratamento. Hoje, Daniela precisa de cuidados especiais 24 horas por dia.
“Isso é o que mais dói nela, é ela ter que depender das outras pessoas”, conta Alberto Bortman, pai de Daniela.
O pai de Daniela é neurocirurgião há 25 anos e cuida de pacientes com a mesma deficiência da filha. Mas dentro de casa, ele se vê impotente. Não pode trazer esperança para quem mais gostaria.
“Ela diz ‘pai, você tem contato com os melhores neurocirurgiões do mundo. E o que você apresenta para mim?’ Você acaba não apresentando nada de muito positivo”, diz Alberto.
Foi numa reportagem do Fantástico, exibida há dois anos, que Daniela viu uma saída. Visitamos a clínica de um médico chinês que vem atraindo pacientes do mundo inteiro, mas que também desperta a desconfiança dos cientistas. O doutor Huang Hongyu. Huang faz experimentos em seres humanos com células-tronco.
Células-tronco são aquelas com o potencial de se transformar em diversos tecidos do corpo e regenerar áreas lesionadas. Representam, hoje, a grande esperança para deficientes físicos, como Daniela.
A cirurgia do doutor Huang é polêmica porque as células são retiradas do nariz de fetos abortados, com até quatro meses de gestação, e implantadas no corpo do paciente. Estas células do sistema olfativo teriam uma capacidade maior de regeneração e seriam mais eficazes no tratamento. Mas isso é algo que a medicina ocidental ainda não testou em humanos.
“O grande problema desse trabalho é a falta de transparência. Quer dizer, esse é um médico que começou a fazer um procedimento em pacientes, cobrando, e sem mostrar os seus dados para a comunidade científica. Então, aquilo é uma caixa-preta”, alerta Lygia Pereira, geneticista da USP.
A família de Daniela está desembolsando R$ 40 mil para uma operação sem garantia de sucesso.
“As pessoas estão pagando para ser, na verdade, animais de experimentação, cobaias”, diz Lygia.
Raphael, um amigo de Daniela, foi à clínica do doutor Huang, em Pequim, e gravou um vídeo. Ele encontrou um jovem romeno que sofria de paralisia. Ele teria voltado a andar depois do tratamento.
“Você não podia andar quando chegou?”, pergunta Raphael.
“Eu podia dar dois ou três passos, nada mais”, responde o romeno.
No Brasil, Alberto se divide entre a dúvida de um médico e a fé de um pai.
“O grande motivo dessa nossa viagem é que ela acredite na recuperação dela. E que ela acredite que existem caminhos”, diz Alberto.
Neste domingo à noite, Daniela e o pai embarcaram para Pequim, acompanhados de uma técnica de enfermagem. A estudante vai ficar pelo menos 15 dias internada, e o Fantástico vai acompanhar essa história na China.
“Eu tenho certeza que vou voltar a andar. É o que me faz estar viva. Eu vi uma luz no fim do túnel, uma luz de esperança”, comenta Daniela.
Fonte: Fantástico
Link da reportagem: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL743421-15605,00-BRASILEIRA+FARA+TRATAMENTO+COM+CELULASTRONCO.html
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11 respostas para “ Brasileira fará tratamento com células-tronco ”
13 de Setembro de 2008 @ 15:36
eu não sei escrever de computador.Acho que eu não sei mais nem escrever com lápis,maseu torço muito,nuito por vc. Dani.Sou pacente do seu pai.Deus vai me curar e curar vc. também.Vó Elvira.
14 de Setembro de 2008 @ 14:12
Oi Dani como foi a cirurgia? Dani o meu marido tambem é medico e a cinco anos ele ficou tetraplegico (caiu de uma cadeira). Vc dani representa para mim um anjo que com as graças de Deus, apos a cirurgia vai ficar boa. Te desejos toda sorte do mundo.
16 de Setembro de 2008 @ 12:47
Daniele, tenho uma sobrinha de 10 anos que há dois adquiriu um tumor (pnet) na T3, ao remove-lo ficou paraplegica, vc esta sendo uma inspiração e uma esperança para a Karen. Estamos todos torcendo por você, que Deus abençõe seus passos, sim seus passos, temos certeza que seu retorno será vitorioso. UM FORTE ABRAÇO.
19 de Setembro de 2008 @ 20:05
emaema
22 de Setembro de 2008 @ 00:59
DANIELE ESPERO EM DEUS QUE VC FIQUE BOA VC E LINDA FELICIDADES
22 de Setembro de 2008 @ 18:58
Oi Dani, meu caso é bem diferente do seu mas não menos debilitante. Tenho a Distrofia Muscular tipo cinturas, ela enfraquece os músculos dos membros superiores e inferiores, há 7 anos estou numa cadeira de rodas e não gosto disso. Ter que depender das pessoas pra tudo é mto chato. Vi sua reportagem no Fanástico e lhe parabenizo pela coragem e pela força de vontade que vc tem.
24 de Setembro de 2008 @ 16:53
Ola, dani! Gostaria de saber como esta indo sua recuperaçao dia a dia… vc tem um blog exclusivo pra isso??
Um beijo.. Fi ca com DEUS.. E FORÇA, MINHA QUERIDA!
28 de Setembro de 2008 @ 16:58
Oi Dani.
tenho uma deficiencia no membro superior direito adquirido num acidente de motociclismo, espero e confio em
deus que vc irá se recuperar e em breve ver outra reportagem sua com vc andando, o que será a maior vitória em sua vida.
Gostaria de ter contatos com vc, e saber de sua recuperaçao.
Abraços de seu futuro amigo Leandro.
1 de Outubro de 2008 @ 12:51
Olá! Acompanhei um pouco tudo pela midia e gostaria de falar com você. Como posso contatá-la?
1 de Outubro de 2008 @ 16:44
Ola Menina Daniele,quando vi a reportagem, vendo seu pai e voce embarcando, fiquei muito emocionada, pedindo a DEUS pela sua recuperação,mais breve do que o imaginado.Em 1982 Dr.AlbertoBortman(seu pai),Dr.Tambelini e Dr.Aldo,salvaram
minha vida, diagnosticando uma meningite,serei eternamente grata à eles, e da mesma forma que um milagre aconteceu comigo,desejo fervorosamente que o mesmo aconteça contigo.Que a mão de DEUS guie sempre as mãos dos seus medicos.
Grande e Fraterno Abraço
1 de Outubro de 2008 @ 23:56
Oi Dany…. força, coragem e fé que tudo acabará bem ! Rezo por vc.