Indústria dos games tenta se adaptar a jogadores com necessidades especiais
Deficientes visuais, auditivos e físicos já encontram jogos e controles específicos.
Para especialistas, ainda falta empenho dos produtores para facilitar o acesso aos games.
Os games são uma parte importante da vida hoje e não podem continuar inacessíveis a pessoas que tenham algum tipo de deficiência.” Foi assim que a pesquisadora Michelle Hinn, da Universidade de Illinois, alertou os executivos da Game Developers Conference (GDC), em fevereiro de 2008, para um assunto ainda ignorado pela indústria dos videogames: existem pessoas com deficiências, e elas não conseguem jogar a maioria dos títulos que estão no mercado.
Segundo dados apresentados por Hinn, cerca de 10% a 20% da população é impossibilitada de jogar hoje devido a alguma deficiência (auditiva ou visual, por exemplo) e à falta de cooperação dos produtores. O que ela e outras comunidades pela internet pedem não são jogos “chatos” e nem mudanças radicais na indústria.
“Não se trata nem de produzir coisas especiais para pessoas com deficiência, mas de levar em consideração alguns aspectos que muitas vezes não vão nem elevar o custo de produção”, diz Ron Beenen, do projeto holandês Game Accessibility (http://www.game-accessibility.com), que formou mais uma comunidade on-line voltada aos jogadores com necessidades especiais.
Ron diz que existem diversas pessoas envolvidas no projeto, mas que o crescimento aconteceu mesmo na internet, com a comunicação entre usuários. No site oficial o jogador pode trocar informações e também conferir a lista de sugestões de jogos para cada tipo de deficiência: visual, auditiva, física e de aprendizado.
Qual é a cor?
Uma das deficiências que mais incomodam os jogadores é o daltonismo. A incapacidade de diferenciar cores é um obstáculo cruel nos jogos casuais ao estilo “Tetris”, em que é necessário estabelecer certas combinações de peças coloridas para atingir objetivos.
Um jogador que não consegue distinguir o verde do vermelho, por exemplo, terá dificuldades quando essas duas cores aparecerem no jogo.
A produtora Pop Cap Games, porém, desenvolveu um mecanismo para que o daltônico possa jogar normalmente. Em jogos como “Bejeweled” e “Peggle”, em que as cores assumem papel fundamental, existe a opção “colorblind mode”, que pode ser acionada para adaptar as cores das peças de forma a evitar os erros de identificação que comumente afetam os daltônicos.

‘Peggle’ é um dos jogos casuais com opção de cores para daltônicos (Foto: Reprodução)
A maioria dos jogos de ação, porém, ainda não está adaptada. Jogos de guerra em campo aberto, como “Battlefield 2142”, que identifica exércitos inimigos por setas coloridas, muitas vezes utilizam cores que podem ser confundidas por daltônicos – principalmente quando a batalha envolve raciocínio rápido e ação frenética.
No lugar do som
Já o jogador com deficiência auditiva pode ter dificuldades em jogos de tiro e ação, gêneros em que o cenário 3D traz muitas informações que não podem ser captadas apenas pelos olhos. Os sons de passos de um inimigo, uma porta que se abre ou um alarme que dispara, por exemplo, são fundamentais para que o jogador entenda o que está acontecendo.

‘Portal’, da produtora Valve, tem legendas que reproduzem os efeitos sonoros (Foto: Reprodução)
A série de tiro “Half-Life”, da produtora Valve, foi uma das primeiras a tentar resolver essa questão. O jogo tem a função “closed caption”, que reproduz em legenda na tela todos os efeitos sonoros que estiverem ocorrendo. A opção também pode ser usada para reproduzir em texto os diálogos dos personagens.
As legendas também estão disponíveis em outros jogos da mesma produtora, como o sucesso de 2007 “Portal”, em que o jogador avança por cenários de teste em que cada detalhe é importante para a solução dos labirintos.
Com uma mão só
Ben Heckendorn é o engenheiro que ganhou fama na internet ao divulgar as façanhas tecnológicas que lhe renderam o apelido de “mago”. A maioria dos projetos no currículo de Ben envolve a transformação de consoles de videogame em peças portáteis.
Consoles como PlayStation 3, Xbox 360 e clássicos como o Neo Geo e o Atari já passaram pela garagem de Ben e ganharam suas versões portáteis, muitas vezes consideradas “profissionais” pela imprensa especializada.

Os 12 botões e as duas alavancas do controle de Xbox 360 em uma peça só (Foto: Divulgação)
Mas Ben também pensa nos jogadores deficientes. Dois de seus projetos são joysticks que podem ser manipulados com apenas uma mão. O engenheiro desmonta os controles, cria seu próprio design e reposiciona os botões de forma que uma pessoa que só tenha os movimentos de uma mão seja capaz de executar todas as funções nos complexos jogos modernos.

‘Access Controller’ é o joystick ‘de uma mão só’ para PC, PS2 e PS3 (Foto: Divulgação)
O Access Controller, projeto que virou produto e é vendido por US$ 129,95 nos Estados Unidos, pode ser usado para jogos de PC, PlayStation 2 e PlayStation 3. O outro “controle de uma mão só” feito por Ben reuniu em uma só peça os 12 botões e as duas alavancas do controle de Xbox 360. O invento, porém, ainda é um protótipo e não é comercializado.
Fonte: Portal G1
Link da notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL609941-6174,00.html
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