blog.movimentosuperacao.com.br

Aluna com paralisia depende da mãe para assistir à aula

No ultimo post o MEC aponta que 70% dos jovens deficientes estão fora da escola, e quer agora identificar as barreiras que impedem o acesso destes jovens e crianças à escola.

Será que vai ser difícil identificar?

Escola estadual não tem rampa de acesso; menina precisa de apoio para subir as escadas.
Funcionária e professora auxiliaram Natasha em 2007, tarefa que agora cabe à mãe; secretaria diz que vai mudar a classe dela para o térreo.

Julia Moraes/Folha Imagem
imagem - imagem
Natasha, 9, com a mãe, Martinha; ela tem paralisia cerebral e depende da ajuda da mãe para ir à escola

AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL

Natasha Batista, 9, aluna do 2º ano do ensino fundamental, tem um bom desempenho escolar, mas só consegue acompanhar as aulas com a presença da mãe. Isso porque precisa subir dois lances de escada de 13 degraus para chegar à sua sala, no colégio estadual Arthur Guimarães, em Santa Cecília (centro de São Paulo) e não tem ninguém para ajudá-la a tomar o lanche e ir ao banheiro.

A aluna tem paralisia cerebral -o que não afeta sua capacidade intelectual, mas lhe causa problemas motores e de fala. Natasha anda de cadeira de rodas e, sobe as escadas com a ajuda da mãe, que a segura.

Desde que as aulas começaram, a empregada doméstica Martinha dos Santos, 38, deixou de trabalhar pela manhã para ficar na sala de aula.
Em 2007, a estudante teve o auxílio de uma funcionária por cerca de dois meses. Entretanto ela foi demitida e, no restante do ano, a própria professora se comprometeu a auxiliá-la. “Não era obrigação da professora. Mas acho que a escola, sim, tem que dar condições para a minha filha estudar sem eu estar junto”, diz Martinha.

Natasha nunca reclama de ter de ir para a escola. “Adoro encontrar meus amigos”, diz. Sua mãe conta que ela é estimulada pelas outras crianças e quer fazer tudo o que as demais fazem. “E também bagunça.”

A doméstica comprou até um notebook para a filha conseguir anotar as aulas -a dificuldade motora impossibilita que Natasha escreva à mão. “Faço tudo o que posso para melhorar a vida dela, não meço esforços.”

Com 700 alunos, a escola não tem rampa de acesso e descumpre o decreto federal 5.296, de 2004, que determina que os estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, proporcionem condições de acesso e utilização de todos os seus ambientes para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida -isso inclui salas de aula, bibliotecas, ginásios, áreas de lazer e sanitários.

As edificações de uso público tinham 30 meses, a contar da data de publicação do decreto, para garantir a acessibilidade. O prazo venceu em 2007.

Além de colocar rampas ou elevador, seria fácil resolver o problema: a turma de Natasha poderia mudar de sala, para o térreo. A Secretaria de Estado da Educação disse que obrigará a escola a fazer isso.
Para o neuropediatra Mauro Muszkat, coordenador do Nani (Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil), da Unifesp, é importante que Natasha estude numa escola regular. “Quase metade das pessoas com paralisia cerebral não tem dificuldades cognitivas e intelectuais”, afirma.

Segundo ele, para isso o colégio precisa fazer as adaptações necessárias.

Os outros estudantes, afirma o médico, só têm a ganhar com o convívio. “Eles experimentam lidar com o diferente.”

Fonte: Folha de São Paulo
Link da noticia: : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2602200816.htm

Anômalografado por Carlos

 

. .

2 respostas para “ Aluna com paralisia depende da mãe para assistir à aula ”

  1. Tabs! disse:

    Demorou pra esse escola tomar as devidas providências!! Ninguém merece ficar sendo carregada escadas acima e abaixo todos os dias!!
    Vez ou outra até que vai, mas, todo dia… Haja paciência!!
    Ainda bem que a Natasha tem uma mãe insistente e paciente!!!

    Bjoks!

  2. Cris mãe da Bia disse:

    Parabéns pra Martinha! A gente tem que ser muuuuuito guerreira senão as nossas filhas não terão os mesmos direitos que as outras crianças. A inclusão é a oportunidade de crescimento intelectual, social, emocional para todos. E todo mundo já sabe que a gente aprende com as diferenças!

Deixe uma resposta.