Festa junina da POLI. Será que foi legal mesmo?
Pra que deixar o acesso mais fácil se é possível dificultá-lo?
Apesar de já há algum tempo a USP ser “Legal”, ainda está longe de proporcionar a seus alunos com necessidades especiais um ambiente verdadeiramente acolhedor e inclusivo onde todos os acessos são pensados e concebidos para dar a todos as mesmas possibilidades de ir e vir. Tenho muitos elogios, mas também algumas críticas ao modo como a USP, entenda-se reitoria, lida com o assunto, mas venho me ater aqui a um outro lado da questão, não debatido com muita freqüência a meu ver. Trata-se do modo ainda precário como os próprios alunos da USP lidam com a questão.
Não se deve esperar empenho apenas da reitoria para promover acesso e inclusão, mas também das agremiações de alunos da USP. Afinal alunos estão sempre se trombando no dia a dia dessa Universidade. Seja nas salas de aula, nas moradias do CRUSP, em mesas de sinuca ou nos bandejões da vida. Ou seja, essa maior proximidade deveria proporcionar um melhor entrosamento.
Mas a realidade da USP parece ser outra. Por exemplo, quando um Grêmio, CAs e Atlética da POLI organizam juntos uma “Festa junina da POLI” é esperado serem capazes de pensar na questão da acessibilidade para que todos os alunos da USP, ou pelo menos os por eles representados, possam participar, sem susto da mesma festa. E quando eu digo todos os alunos me refiro inclusive àqueles usuários de cadeira de rodas. E nesse caso especifico posso apontar pelo menos dois alunos nessas condições na POLI, eu (elétrica - energia) e a Cris da Eng. Civil (Ambiental).
E por falar em festas, faço um parênteses… É fácil perceber que a POLI tem uma fama muito boa em toda USP por realizar boas festas. Sempre ouço comentários sobre as festas serem, de um modo geral, mais organizadas e melhor pensadas por aqui.
Mas de volta a “realidade”… É até irônico eu, cadeirante e aluno da POLI, fui barrado na hora de entrar na “Festa junina da POLI” pela falta de acesso e total inaptidão em lidar com a questão por parte dos seguranças contratados pela “comissão organizadora” para essa festa.
Alguém dessa tal “comissão”, ou da segurança, teve a brilhante e sagaz idéia de colocar a única entrada da festa sobre um dos canteiros, no meio do estacionamento da POLI. Esse canteiro não tinha rampa alguma para, que alguém usando cadeira de rodas pudesse subir e entrar na festa como qualquer outro fazia. Quem pensou e fez a entrada ali em cima até deveria ter lá suas razões, mas por melhores que fossem, confesso: ainda não consegui entendê-las.
Como se não bastasse ignorarem totalmente o acesso para cadeirantes eu me senti destratado pela segurança dessa festa. Ao chegar eu chamei um dos seguranças e perguntei onde era a entrada pra mim. E o prestativo segurança respondeu ser por onde todos estavam entrando, “claro!”. Nada contra entrar por onde todos entram, mas para isso ser possível eu teria que ser carregado pelos seguranças e correr riscos de cair e ter de enfrentar um constrangimento ainda maior.
Insisti e perguntei se não seria possível eu entrar sem subir no canteiro. Afinal do meu lado, na rua mesmo, havia uma tela e se suspensa eu passaria fácil, sem correr o risco de cair ao ser carregado por pessoas que não demonstravam muito tato pra fazê-lo. Os seguranças não gostaram da minha idéia e foram chamar o chefe deles para conversar comigo (!).
Esse tal “chefe” chegou me perguntando na maior cara de pau e com um sorrisinho extremamente irônico no canto da boca: “O Senhor está reclamando por que não tem rampa aqui?”. Como se eu fosse o mais idiota dos seres justamente por esperar poder entrar naquela festa como os demais.
Sim, o sangue ferveu. Mas nessa hora viro para o lado e vejo duas pessoas levantando essa tal tela, que limitava a área da festinha e saindo por ali mesmo. Nesse momento um solícito segurança se propôs a resolver a questão levantando a tela pra eu passar por ali também. Finalmente pude entrar na tal festinha.
Pelas circunstâncias, nas quais a questão está envolta não pude deixar esse fato passar batido. É, acima de tudo, uma oportunidade boa pra estimular mais pessoas a pensarem na questão da inclusão social e acessibilidade para pessoas com necessidades especiais. Penso: se isso acontece na faculdade da USP cuja fama é ser “a melhor” na organização de festas fico imaginando como será fora da POLI. E mais, é uma vergonha isso acontecendo no quintal da mais disputada das escolas de engenharia do Brasil, onde dizem por ai estudar boa parte da “elite intelectual” do país.
Perdão pelo lugar comum, mas pra ser elite mesmo não basta olhar apenas para o próprio umbigo. Ser elite é, acima de tudo, respeitar e saber lidar com diferenças. Afinal elas estão ai, cada vez mais ganhando as ruas e avenidas do mundo, principalmente do primeiro mundo.
Porque será, que em relação a esses paises, ditos desenvolvidos nós ainda vemos poucos cadeirantes pelas ruas de São Paulo, ou mesmo da USP? Terá o Brasil, proporcionalmente menos pessoas com necessidades especiais do que Estados Unidos, Alemanha ou Itália? Eu acho que não! Mas certamente por aqui, onde faltam rampas, sobram: descaso e preconceitos.
Ass.: Dragão (anômalografado por André “George”!)
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5 respostas para “ Festa junina da POLI. Será que foi legal mesmo? ”
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30 de Outubro de 2006 @ 20:20
Pois é valeuzao galera. Causando a gente se faz ver!
1 de Novembro de 2006 @ 22:00
O mais irônico é que bem na frente do portão 1 tem um outdoor gigante onde se lê, abaixo de uma cadeira de rodas colocada entre carteiras de sala de aula, a seguinte frase: “a usp aprendendendo a conviver com a deficiência…”
9 de Novembro de 2006 @ 12:43
100 comentarios…
18 de Novembro de 2006 @ 02:08
Isso porque a USP é conhecida por formar a elite pensante deste país, onde será que iremos parar quando essa elite dominar o poder???? Fica aqui a reflexão!!
23 de Maio de 2007 @ 23:28
esperos passos de dança caipira
24/05/2007
casamento